Ações de desenvolvimento prioriza saúde mental dos colaboradores e antecipa diretrizes da nova NR-1
No momento em que o Brasil enfrenta o maior índice de afastamentos do trabalho por transtornos mentais da última década, a Fundação Cecierj consolida seu pioneirismo na atenção ao bem-estar e à segurança psicológica de seu corpo funcional. Adotadas por iniciativa própria antes de qualquer obrigatoriedade legal, as medidas de acolhimento da instituição convergiram, por coincidência temporal, com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho. Longe de ser apenas uma resposta burocrática, a política da Cecierj foca na valorização humana de seus cerca de 350 profissionais em sede para que esse cuidado se reflita diretamente na saúde dos trabalhadores e também na excelência do atendimento aos milhares de alunos fluminenses, na ponta.

Dinâmica integrativa promovida pelo Departamento de Valorização estimula a troca de experiências e a escuta ativa entre os profissionais da sede administrativa da Fundação Cecierj. Foto: Flávio Carvalho.
O Cenário Nacional da Saúde Ocupacional
A preocupação da Fundação Cecierj reflete um panorama crítico na saúde do trabalhador brasileiro. De acordo com dados consolidados do Ministério da Previdência Social e do Ministério do Trabalho, o ambiente corporativo nacional enfrenta uma severa crise de esgotamento.
| Indicador | Dado Estatístico | Impacto no Mercado |
| Total de Afastamentos | 472.328 licenças médicas em um ano | Recorde histórico de concessões por transtornos mentais e comportamentais pelo INSS. |
| Crescimento Anual | Alta de 68% | Expressivo aumento em comparação ao período anterior. |
| Perfil Majoritário | 64% de mulheres | Faixa etária média de 41 anos, com prevalência de quadros de ansiedade, depressão e burnout. |
Esse volume alarmante de ausências motivou o Ministério do Trabalho a atualizar as diretrizes da NR-1, tornando obrigatória a inclusão de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Dinâmicas integrativas mobilizam os colaboradores na sede da instituição; foco é analisar coletivamente os fatores de esgotamento e aplicar as novas diretrizes de saúde ocupacional. Foto: Filipe Dutra
Transformação organizacional e diálogo institucional
Na Fundação Cecierj, a estruturação desse suporte não nasceu de uma imposição da fiscalização. Em novembro do ano passado, a instituição implementou uma ampla reestruturação administrativa motivada pelo desejo de cuidar do seu público interno, criando a Diretoria de Gestão de Pessoas e o Departamento de Valorização e Desenvolvimento de Pessoas.

Sidney Borges, assessor-chefe da Rede CEJA, destaca a necessidade de transformar a saúde dos servidores em prioridade na gestão pública para prevenir o adoecimento sistêmico nas escolas. Foto: Filipe Dutra
Natalia Guerra, chefe do Departamento de Valorização e Desenvolvimento de Pessoas da Cecierj, explica que a Fundação percebeu o desgaste da sociedade e agiu para promover uma transformação real na cultura organizacional.
“O movimento que testemunhamos hoje no mercado de trabalho, com o aumento vertiginoso de afastamentos por transtornos mentais relacionados ao ambiente corporativo, é um reflexo da nossa sociedade. A Fundação Cecierj, percebendo essa realidade, antecipou-se à obrigatoriedade da lei. Nosso objetivo é construir uma cultura de diálogo e segurança psicológica para as trocas diárias, mitigando excessos e aprimorando o clima organizacional. Estamos trabalhando na escuta ativa e no desenvolvimento pessoal e comportamental de nossas equipes e lideranças.”

A chefe do Departamento de Valorização e Desenvolvimento de Pessoas, Natalia Guerra, explica as diretrizes para a construção de uma cultura de diálogo e segurança psicológica na Fundação Cecierj durante workshop voltado às equipes e lideranças. Foto: Filipe Dutra
Cuidado verdadeiro versus burocracia
O grande diferencial da Cecierj em relação ao mercado tradicional reside no propósito. Enquanto muitas organizações encaram a nova NR-1 como um protocolo frio e meramente formal para evitar sanções e multas, a fundação enfatiza a eficácia do cuidado.

Colaboradores compartilham propostas baseadas na empatia e na comunicação assertiva durante atividade voltada à valorização e à qualidade de vida na sede da instituição. Foto: Flávio Carvalho
Viviane Villar, diretora de Gestão de Pessoas da fundação, detalha essa visão humanizada e esclarece as etapas que a instituição cumpre com responsabilidade:
“A nossa intenção não é apenas cumprir o que determina a norma, mas cuidar genuinamente das pessoas. Esse movimento começou muito antes de existir a obrigatoriedade, integrando uma política contínua e institucional da Cecierj, e não uma ação isolada de gestão. É importante ressaltar que a NR-1 exige etapas formais, e estamos iniciando o processo de contratação especializada para realizar o levantamento físico e a tabulação dos riscos psicossociais. Portanto, as nossas ações atuais de acolhimento conversam com a norma, mas o nosso foco sempre foi o material humano.”

A diretora de Gestão de Pessoas, Viviane Villar, apresenta as diretrizes de acolhimento e valorização humana na sede; instituição inicia processos formais da nova NR-1 com foco contínuo no bem-estar dos servidores. Foto: Flávio Carvalho
Impacto direto no atendimento na ponta
Neste foco, gestores, equipes, colaboradores e a assessoria de Comunicação têm participado das diversas atividades programadas. A área de Gestão de Pessoas, em concordância com a gestão, definiu que nos próximos meses as reuniões de equipe devem tratar, dentre as suas pautas, o assunto do bem estar no ambiente de trabalho. A Diretoria dará orientação sobre os temas que podem ser discutidos e como proceder, e está disponível para esclarecer diretamente e municiar os gestores com mais informações.

A coordenadora de jornalismo da Assessoria de Comunicação, Cláudia Mastrange, participa das atividades integrativas na sede administrativa; mobilização interna visa capacitar equipes para debater o bem-estar no ambiente de trabalho. Foto: Flávio Carvalho.
A Diretoria de Gestão de Pessoas reforça que garantir a saúde mental dos 350 profissionais da sede: entre servidores, extraquadros e terceirizados, é o caminho indispensável para que as políticas públicas de educação cheguem com excelência aos estudantes em todo o Estado do Rio de Janeiro.

Mariana Bernstein, diretora de Gestão de Polos, representa uma das áreas administrativas beneficiadas pelas novas diretrizes de bem-estar, cujo reflexo direto se dá na excelência do atendimento aos estudantes fluminenses. Foto: Filipe Dutra
“O capital humano é a parte mais importante da Fundação. Se os colaboradores não estiverem bem, não conseguimos cumprir nossa missão. Atuamos com 350 pessoas na sede administrativa, mas a capilaridade da Cecierj alcança milhares de vidas na ponta. São milhares de estudantes que têm suas trajetórias impactadas pelo trabalho realizado aqui, por meio do Consórcio Cederj, do Ceja, do Pré-Vestibular Social (PVS) e de todas as nossas políticas de extensão. Por isso, o viés principal deste projeto é a valorização desses servidores para garantir a qualidade do ensino na ponta”, concluiu Viviane Villar.





