Trinta e três projetos de pesquisa de jovens cientistas selecionados na Fecti 2025 serão apresentados no segmento SBPC Jovem 2026 durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, o maior encontro científico da América Latina, que acontecerá no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 26 de julho a 1º de agosto de 2026, com a participação de pesquisadores, professores, estudantes e o público em geral para uma semana dedicada à ciência, educação, tecnologia e cultura.
Coordenada pela Fundação Cecierj, vinculada da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Fecti é o maior evento de ciências do estado do Rio de Janeiro, que anualmente seleciona projetos científicos desenvolvidos por alunos de ensino Fundamental II, Médio e Técnico, em escolas de diversos municípios fluminenses, que têm conquistado também premiações em eventos nacionais e internacionais.
Um dos trabalhos que será apresentado na SBPC Jovem é o projeto “MÖVU: App com Estímulos Auditivos para Pessoas com Parkinson”. Trata-se de um aplicativo baseado na Estimulação Auditiva Rítmica (EAR/RAS – Rhythmic Auditory Stimulation) que funciona como ferramenta de apoio à reabilitação de pessoas com doença de Parkinson.
Impacto social
O MÖVU foi desenvolvido pelas estudantes Leanys Rodríguez Alfonso e Nathalia Campos da Silva, quando eram alunas da Fundação Osório, e que, em 2024, participaram do Desafio Global do Conhecimento, um evento nacional que reúne estudantes das instituições de ensino do Sistema Colégio Militar do Brasil. No ano seguinte, elas foram selecionadas na Fecti 2025. “O contato com os projetos científicos apresentados no evento foi o que despertou grande interesse pelo universo da pesquisa e da inovação e motivou as alunas a desenvolverem um projeto capaz de gerar impacto social por meio da ciência”, contou a bióloga e professora orientadora do projeto Anna Carolina Mendes.

Anna Carolina Mendes, bióloga e professora orientadora do projeto. Foto: Divulgação
Anna Carolina explicou que o Mövu utiliza estímulos sonoros ritmados e personalizados, para favorecer a coordenação motora, a regularidade da marcha e o equilíbrio durante a caminhada, promovendo maior segurança e independência aos usuários. O aplicativo é fundamentado em estudos científicos que demonstram os benefícios da estimulação auditiva rítmica na mobilidade de pacientes com Parkinson. “O Mövu foi concebido como uma intervenção complementar aos tratamentos convencionais, ampliando as possibilidades de reabilitação em ambiente domiciliar”, explicou.
1º lugar na Fecti 2025
O projeto das jovens cientistas Nathalia Campos e Leanys Rodríguez alcançou a premiação máxima em uma das categorias da Fecti 2025. “Foi um marco na trajetória das alunas. Além de terem sido selecionadas para integrar a maior feira de ciências do estado do Rio de Janeiro, elas conquistaram o primeiro lugar na categoria Ciências Biológicas e Saúde, um reconhecimento que validou todo o empenho, a dedicação e o rigor científico empregados durante o desenvolvimento do projeto”, destacou a professora. A participação na Fecti e o prêmio despertaram uma grande motivação nas duas estudantes. “É muito gratificante poder fazer parte de um projeto tão bonito como o Mövu, sempre fui apaixonada por pesquisa e neurociência, então o projeto me motiva cada vez mais a procurar formas de ajudar pessoas, principalmente juntando a ciência e a tecnologia. Colocamos nas nossas cabeças que queríamos um projeto que juntasse nossas duas áreas de interesse, começamos a pesquisar e vimos a invisibilidade de pesquisas em relação à doença de Parkinson”, destacou Nathalia.
A jornada de desenvolvimento do projeto foi avançando, visando a alcançar formas de ajudar o máximo de pessoas. “A cada passo fomos nos apaixonando mais pelo Mövu. Espero no futuro poder ser uma grande neurologista que possa fazer a diferença na ciência, para melhorar a qualidade de vida de cada paciente”, disse a estudante que deseja seguir a carreira na área de medicina e se especializar em neurociência.

Leanys Rodríguez, Anna Carolina e Nathalia Campos durante a premiação da Fecti 2025. Foto: Divulgação
Vontade em comum
Ao tomar conhecimento de que o Mövu seria apresentado publicamente durante a 78ª SBPC, Leanys Rodríguez disse que se sentia honrada com a oportunidade. “Desde cedo, eu sempre tive vontade de ajudar as pessoas e tornar o mundo um lugar melhor. Eu e a Nathalia tínhamos essa vontade em comum, e juntamos as duas áreas pelas quais somos apaixonadas, a saúde e a tecnologia. Trabalhar com uma doença como o Parkinson, que muitas vezes é invisibilizada, me deixa ainda mais motivada. Saber que o nosso projeto pode fazer diferença na vida de alguém é o que faz todo o esforço valer a pena”, afirmou.
A estudante destacou também qual foi o significado da premiação na Fecti. “Conquistar o primeiro lugar na categoria Ciência e Saúde da Fecti 2025 foi a confirmação de que estávamos no caminho certo”, afirmou a estudante. “A Fecti teve um papel muito importante no meu crescimento, pois me incentivou a acreditar no potencial da pesquisa científica e mostrou que é possível desenvolver soluções capazes de fazer a diferença na sociedade”, declarou. “Estou muito ansiosa (com a apresentação na SBPC) e acho que vai ser uma oportunidade incrível para apresentar o Mövu e fazer network. Conhecer pessoas que também fazem pesquisa e aprender bastante com elas. Tenho certeza de que vou voltar com muito aprendizado e ainda mais motivação para continuar desenvolvendo o projeto”, disse Leanys.

Leanys Rodríguez e Nathalia Campos. Foto: Divulgação
A jovem pesquisadora possui amplo conhecimento em programação e desenvolvimento de softwares, e isso ajudou muito na concepção do App. “Acredito que a tecnologia, além da saúde, pode ajudar a tornar diversas áreas da vida muito mais acessíveis e melhorar a qualidade de vida de muita gente. Com o Mövu, a minha expectativa é que ele possa servir como uma ferramenta de apoio para pessoas com Parkinson, ajudando na reabilitação e incentivando que elas tenham mais autonomia no dia a dia. Espero que o aplicativo consiga chegar ao maior número possível de indivíduos e mostrar que a tecnologia também pode ser uma forma de cuidar da saúde e transformar vidas”, concluiu.





