Ex-estudante do PVS Cecierj conclui doutorado com pesquisa de impacto para o agronegócio e hoje retorna ao polo Cederj como tutora, fechando um ciclo de dedicação à educação pública

Aos 34 anos, a bióloga e doutora Sara Nállia personifica o poder transformador da educação pública e acessível. Sua trajetória, que começou nas salas do Pré-Vestibular Social (PVS) da Cecierj em Macaé, acaba de ser coroada com a conclusão de um doutorado que busca soluções para um dos maiores problemas da goiabicultura nacional. Hoje, ela retorna ao local onde tudo começou, não mais como aluna, mas como tutora, fechando um ciclo de inspiração e perseverança.

Natural do Espírito Santo e residente em Macaé, Sara conciliava, em 2013, um trabalho em horário comercial com os estudos aos sábados no PVS. “Como o PVS fornece todos os livros, fica muito mais fácil manter a organização e o ritmo dos estudos”, relembra. A paixão pelas Ciências, que a acompanhava desde a infância e foi ampliada durante sua experiência como técnica em química na indústria do petróleo, encontrou no curso de Ciências Biológicas do Polo Cederj Macaé o caminho para se realizar.

Aprovada no vestibular em 2014, Sara não se limitou à sala de aula virtual. Determinada, ela buscou ativamente uma vaga em iniciação científica. Foi por iniciativa própria, entrando em contato por e-mail com a Professora Eliane Romanato, do Laboratório de Geoquímica do Petróleo da UENF (LENEP), que deu o primeiro passo. A pronta resposta da professora resultou em uma reunião e no início de um projeto de biorremediação de petróleo, marcando o início de sua carreira científica.

Sua proatividade e liderança a levaram a conquistar um marco importante: ela foi a primeira representante discente a integrar o colegiado do curso de Ciências Biológicas. Essa posição pioneira a aproximou dos professores da UENF e permitiu que compreendesse profundamente o funcionamento, as demandas e as necessidades do curso. “Além disso, atuar como representante discente me permitiu contribuir para importantes movimentos estudantis, como visitas técnicas, semanas acadêmicas e aulas inaugurais. Foi um período extremamente enriquecedor!”, avalia. Paralelamente, também atuou como monitora de disciplinas ao longo de sua formação.

Ponte para a Ciência e Mestrado

Formada em 2018, Sara ingressou no Mestrado em Biociências e Biotecnologia pela UENF. Foi durante esse período que uma observação sensível gerou uma ideia inovadora: “Notei que muitos colegas, por trabalharem em empresas ou serem mães de família, não conseguiam participar de atividades presenciais na universidade”.

Movida pelo desejo de ampliar o acesso, ela idealizou uma plataforma para conectar pesquisadores a estudantes de ensino a distância (EAD), promovendo iniciação científica por meio da metodologia de Ciência Cidadã. A proposta foi apresentada em um evento da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade, financiado pelo Instituto Serrapilheira. Embora a plataforma não tenha saído do papel como previsto, o estudo resultou na publicação de um artigo na Revista EaD em Foco, mostrando seu compromisso com a democratização do conhecimento – um espelho do próprio propósito da Fundação Cecierj.

Doutorado com impacto direto no agronegócio

Em 2021, Sara deu início ao doutorado no mesmo programa. Sua tese, intitulada “Respostas morfofisiológicas e bioquímicas de espécies do gênero Psidium à infecção por Meloidogyne enterolobii”, foi realizada sob a orientação da Professora Doutora Kátia Valevski Sales Fernandes (UENF) e a coorientação da Pesquisadora Doutora Juliana Martins de Lima (Embrapa Semiárido).

O trabalho, concluído em 2025, investigou a fundo como diferentes espécies de goiaba (do gênero Psidium) respondem, em níveis morfológicos, fisiológicos e bioquímicos, à infecção pelo nematoide Meloidogyne enterolobii. O objetivo central foi compreender os mecanismos de resistência ou suscetibilidade dessas plantas, gerando conhecimento fundamental para o desenvolvimento de estratégias de manejo sustentável e para programas de melhoramento genético.

A pesquisa é de extrema importância económica. O nematoide M. enterolobii é uma praga devastadora para a goiabeira (Psidium guajava), causando perdas de até 100% em áreas infestadas. “Em alguns locais, como na região de Petrolina (PE), houve redução de áreas plantadas de 6.000 ha para 2.500 há, com queda de mais de 50% na produção”, contextualiza a pesquisadora. Prejuízos diretos são estimados em mais de 112 milhões de reais em cinco estados produtores. A tese de Sara oferece, portanto, subsídios científicos cruciais para combater esse sério problema fitossanitário.

Como parte de sua formação de excelência, realizou um estágio em laboratório na University of California – Davis, nos Estados Unidos, em 2024, agregando ainda mais expertise à sua pesquisa.

Ciclo que se renova

Atualmente, Sara Nállia retorna às suas raízes no Polo Cederj Macaé, agora como tutora presencial de Química para os cursos de Biologia e Engenharias. Da carteira do PVS à tutoria, sua jornada exemplifica a missão de democratizar o ensino.

Para os jovens que almejam seguir um caminho similar, Sara deixa um recado motivador: “Se você deseja seguir meu caminho, lembre-se: curiosidade e persistência são suas maiores aliadas. Afinal, depois do medo tem o mundo! Não tenha receio de errar, de fazer perguntas ou de se desafiar. O aprendizado nasce do esforço, da dedicação e da paixão pelo que você faz. Acredite no seu potencial e siga em frente!”, conclui.