O pedagogo e ex-aluno do Consórcio Cederj Sergio Balsante é um dos seis autores do livro “Resiliência e superação – Jornada de quem enxerga além”, que será lançado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na capital paulista, no dia 9 de setembro de 2026. O livro será apresentado inicialmente na versão em Braille, e vai ganhar posteriormente uma edição digital (e-book) em data ainda não definida pela editora.

Sergio participa da obra, que reúne textos de escritores cegos ou com baixa visão, produzida pela editora Novos Autores do Brasil, com o objetivo de abordar as histórias de superação e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência visual.  

No texto “Para além do breu”, Sergio, que atualmente está com 57 anos, relata a sua trajetória depois de perder a visão aos 40, em decorrência de uma meningite.  A narrativa acompanha suas etapas de reabilitação física e social, o aprendizado de ferramentas como o Braille e a bengala longa, e a busca contínua por qualificação.

“O objetivo do livro é que as nossas histórias sirvam de inspiração para pessoas que estejam passando por uma situação como a nossa percebam que não existe final de vida enquanto não aparecer a morte. De que tudo é possível e capaz de acontecer se a gente tiver um propósito, um sentido para a vida”, afirmou.

Importância e representatividade

Com relação a participar de uma obra em um evento literário de prestígio como a Bienal de São Paulo, Sergio disse que está consciente da importância que isso representa. “Todo mundo sabe o peso que tem, principalmente para um ambiente acadêmico, e para as possibilidades de essa fala ter um alcance maior. Ou seja, ir além do grupo de pessoas cegas. E que o pessoal da educação possa ler as nossas histórias e, a partir dessa leitura, tenha a noção da trajetória das pessoas cegas”, afirmou. 

Como a Bienal é um evento internacional, Sergio a considera uma ótima oportunidade de comunicação “que dá visibilidade para eu poder contar minha história e ela servir não só para pessoas cegas, mas para qualquer pessoa que vai ler perceber que eu tenho muita lenha para queimar ainda, não me vejo limitado. Estou sempre começando de novo, é um começar de novo todos os dias”, destacou. 

Outro ponto destacado pelo autor é que o livro irá contribuir também “para a gente tentar mudar a atitude das pessoas com relação às pessoas com deficiência visual, evitando o capacitismo, a segregação, a discriminação e tudo que vem junto com a cegueira”.

Esforço e dedicação

Sergio criou a sua própria linha de pensamento motivacional, na qual trabalha muito a questão do esforço, da dedicação, do sonho, da coragem, algo semelhante ao mote da campanha para os atletas dos Jogos Paralímpicos de Atlanta, em 1996, nos EUA, que dizia: “Não existem corpos sem esperança, o que existe são corações desesperançados”. É nisso que Sergio acredita. “Apostar que é possível e no quanto a educação transforma, o quanto ela tem o poder de transformar a gente”.

Ele afirma que se recusa a cumprir o papel de vítima. Revelou que depois que perdeu a visão encontrou uma força que não imaginava que tivesse. “Eu consegui me enxergar depois que perdi a minha visão física. Parece contraditório, mas é isso. Antes de ser cego eu não acreditava, por exemplo, que seria capaz de passar no Enem”, explicou.

Amparado na resiliência e na tenacidade, ele foi aprovado no exame cerca de quatro anos depois de ter ficado cego, ingressou na Faculdade de Tecnologia da UNIESP, em São Paulo, onde morava, mas não concluiu a graduação. Veio para o Rio de Janeiro, onde fez curso de Massoterapia no Instituto Benjamim Constant.

Depois da pandemia da Covid-19, em 2021, Sergio foi aprovado no Vestibular Cederj, no curso de Pedagogia, da UERJ, que ele concluiu no final de 2024, no polo localizado no município de Itaguaí (RJ). Desde então, ele vem acumulando conquistas acadêmicas, publicações e aprovação em concurso público.

Motivo de orgulho

“Acompanhar a evolução do Sérgio, desde o seu ingresso no curso de Pedagogia até a publicação do seu texto no livro na Bienal de São Paulo, é um motivo de imenso orgulho para nós. O NAI (Núcleo de Acessibilidade e Inclusão) testemunhou a trajetória de um homem resiliente, criativo e generoso, sempre pronto a apoiar colegas que trilham caminhos parecidos”, afirmou Luciana Perdigão, coordenadora do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da Fundação Cecierj.

Luciana destacou que ver este livro do qual o Sergio participa lançado em um evento tão expressivo como a Bienal “é a consagração do seu talento e reafirma o poder transformador da representatividade para a comunidade do Cederj, especialmente para os nossos estudantes com deficiência visual”.

Mais do que um relato pessoal, o texto de Sergio Balsante destaca o papel da fé, da educação e da atitude diante das adversidades, servindo como inspiração e prova de que as limitações físicas não impedem a realização de sonhos nem a reconstrução de uma vida plena.

Para adquirir o livro na versão em Braille os interessados deverão acessar o site da Editora Novos Autores do Brasil e clicar no link disponível para a compra da obra


Serviço

Evento: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Local: Distrito Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana, São Paulo – SP)

Datas: 9 de setembro de 2026

Atividades previstas: lançamentos de livros, sessões de autógrafos, networking e encontros com escritores e leitores independentes associados à editora.