Alunos e professores relatam benefícios na formação acadêmica e profissional de estudantes

Há 25 anos, quando os quatro primeiros polos do Consórcio Cederj foram lançados pela Fundação Cecierj nos municípios de Itaperuna, Paracambi, São Fidélis e Três Rios, muitos jovens e adultos dessas cidades do interior fluminense torciam, há muitas décadas, por mais oportunidades de acesso ao ensino superior público gratuito e de qualidade, visando a alcançar uma boa formação acadêmica e profissional. Sob a coordenação da vinculada da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Consórcio Cederj é formado por 11 universidades públicas do estado do Rio de Janeiro, dentre as quais oito instituições (CEFET, UENF, UERJ, IFF, UFF, UFRJ, UFRRJ, UNIRIO) que oferecem 18 cursos de ensino superior público a distância semipresencial, em 44 polos instalados na capital e no interior do estado. A iniciativa surgiu em janeiro de 2000, tendo como um dos objetivos possibilitar que pessoas que moram longe dos grandes centros cursem uma graduação.

Formando e qualificando mão de obra em diversas áreas do conhecimento para o mundo do trabalho, o Consórcio Cederj contribui com a cadeia produtiva das regiões em que as universidades da rede desenvolvem as suas atividades acadêmicas. Desde que o projeto foi lançado, 40 mil alunos conquistaram o diploma do ensino superior. No momento, 30 mil estudantes estão frequentando os polos de graduação, que contam com nove mil docentes e três mil tutores de disciplinas (Fonte: DAC). São indicadores que confirmam que o projeto, inaugurado como política pública de grande lastro socioeconômico, cada vez mais se apresenta como agente de transformação pela melhoria da qualidade de vida do público beneficiado.
“O Consórcio Cederj surgiu com o objetivo de ampliar o acesso ao ensino superior público, especialmente nos cursos de licenciatura, promovendo a democratização da educação e a formação de profissionais qualificados em diferentes municípios fluminenses”, declarou a Diretora de Polos Regionais e Vinculados, Marianna Bernstein, lembrando que o projeto veio suprir uma lacuna da formação acadêmica nas cidades do interior, devido às instituições de ensino superior estarem concentradas majoritariamente na região metropolitana.

“Nesse processo, os polos regionais assumem um papel fundamental como espaços de apoio ao ensino e à aprendizagem, constituindo a presença física das instituições públicas de ensino superior nos municípios onde estão instalados. É nos polos que os estudantes encontram recursos essenciais para sua trajetória acadêmica, como laboratórios didáticos, equipamentos de informática, salas de leitura, ambientes de estudo e atividades de tutoria. São também os locais onde ocorrem as avaliações e demais atividades presenciais obrigatórias dos cursos”, explicou Marianna.

Números que mostram o impacto do consórcio em todo o estado fluminense.

Resgate e democratização

“Celebrar os 25 anos dos polos de Itaperuna, Paracambi, São Fidélis e Três Rios é resgatar a própria essência da interiorização do ensino superior público no estado do Rio de Janeiro. A escolha estratégica desses quatro municípios foi fundamental para descentralizar o conhecimento acadêmico de qualidade ofertado pelas instituições de ensino superior públicas do estado e consolidar o Consórcio Cederj como um motor de desenvolvimento regional”, disse a Diretora Acadêmica Milena Nascimento.
“Tenho orgulho em acompanhar o impacto gerado na vida de milhares de estudantes e parabenizo os diretores desses polos e a todos os coordenadores, tutores, alunos e colaboradores que constroem, diariamente, essa história de sucesso e superação, reafirmando nosso compromisso de continuar transformando realidades por meio da educação a distância de qualidade”, declarou Milena.
Para a educadora Sílvia Beatriz Areal, diretora do Polo Cederj em São Fidélis, a instalação da unidade no município representou um grande avanço na democratização do acesso ao ensino superior público e de qualidade na região, possibilitando que estudantes ingressem em cursos universitários renomados evitando o deslocamento para a capital. “Além de ampliar as oportunidades acadêmicas e profissionais dos alunos, o polo contribui para a formação de mão de obra qualificada, estimulando o desenvolvimento local e permitindo que o conhecimento promovido se reverta em benefícios para a própria cidade”, afirmou Sílvia Areal.
Sílvia lembra que, antes da instalação do polo, a maioria dos estudantes da cidade que concluíam o ensino médio não via possibilidade de ingressar no ensino superior. “As dificuldades financeiras impediam que nos mantivéssemos em uma cidade grande para estudar e, por isso, o sonho de cursar uma faculdade acabava sendo deixado de lado. Com a chegada do Cederj, essa realidade mudou, muitos daqueles alunos que haviam adiado o sonho de cursar o nível superior, mesmo após anos afastados, retornaram com os estudos, ingressaram em uma graduação e conseguiram se formar, graças à oportunidade oferecida pelo consórcio”, declarou.
Flávia Cotta Hespanhol, ex-aluna da primeira turma de Matemática do polo, pela UFF, disse que a chegada do Cederj com a oferta de ensino EaD foi um grande avanço para os fidelenses e moradores das cidades do entorno. “(O Cederj chegou) Com um ensino de excelência que contribuiu para o meu crescimento profissional. Além disso, evitou que eu me deslocasse para outras cidades e ofereceu material gratuito e de riquíssimo conteúdo. Tenho orgulho de falar que sou diplomada pela UFF, uma renomada e importante universidade pública do Brasil”, destacou Flávia.

Flávia Hespanhol, ex-aluna da primeira turma de Matemática do polo de Sao Fidélis. Foto: Divulgação

Transformação importante

Robson de Souza, diretor do Cederj em Paracambi, destacou que a inauguração do polo representou uma transformação importante no acesso ao ensino superior público e de qualidade para a população da região do Vale do Café (RJ). “Antes da chegada do Cederj, muitos moradores precisavam se deslocar diariamente para outros municípios ou até desistiam do sonho da graduação por questões financeiras e de logística. Hoje, o polo possibilita que estudantes conciliem estudo, trabalho e vida familiar, ampliando oportunidades profissionais e pessoais. O Cederj contribui diretamente para o desenvolvimento social e econômico do município, formando professores, gestores e outros profissionais que passam a atuar na própria região”, declarou Robson.
Aprovada no Vestibular Cederj 2005.1, Isabel Cristina Coelho se formou em Matemática, pela UFF,retornou ao polo como tutora e, atualmente, é coordenadora de disciplina. Ela falou que uma das principais contribuições do Cederj para a população de Paracambi foi possibilitar o acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade aos moradores locais e das cidades vizinhas, “especialmente para aqueles que precisavam conciliar trabalho e estudo, uma vez que a universidade pública mais próxima era a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (em Seropédica), o que tornava praticamente impossível trabalhar e estudar ao mesmo tempo”.
Para Isabel, o acesso ao ensino superior representou a realização de um sonho, permitiu que a filha de pessoas pobres, que não concluíram o ensino fundamental, pudesse transformar sua vida e vislumbrar novas possibilidades acadêmicas, como cursar mestrado e doutorado, porque sabia que tinha alcançado uma boa formação.
“Profissionalmente, assim que terminei a graduação já consegui me colocar no mercado de trabalho. Retornar ao polo como educadora me permitiu retomar o contato com os conteúdos de ensino superior e retribuir tudo aquilo que me foi oferecido. Hoje, sou aluna de doutorado da Universidade Federal do Rio de Janeiro e atuo como professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro graças à oportunidade que tive com a chegada do Polo Cederj em Paracambi”, contou Isabel.

Isabel Cristina Coelho, formou-se em Matemática (UFF) e voltou ao polo como tutora e coordenadora de disciplina. Foto: Divulgação

Espaço de transformação

Na opinião da professora Lilian Bastos da Costa, o Cederj não é apenas uma unidade de ensino. “É um espaço de transformação, de inclusão e de esperança. Ao longo desses 25 anos, abriu portas, formou profissionais, fortaleceu carreiras e contribuiu significativamente para o desenvolvimento social e econômico de Itaperuna e de toda a região”, afirmou Lilian que assumiu a direção do Cederj em Itaperuna há três anos.
Lilian destacou que o legado do Cederj foi construído por gestores, tutores, funcionários, parceiros e estudantes que acreditaram no poder transformador da educação. “Cada aluno que ingressa no polo traz consigo um sonho. E cada diploma conquistado carrega uma história de dedicação, superação e conquista. São histórias que impactam não apenas a vida de quem se forma, mas também de suas famílias e de toda a comunidade”, declarou.
“A proposta de ter uma faculdade acessível a nós aqui do interior do Rio, que não temos condições de pagar por uma, foi uma excelente ideia”, afirmou a estudante Palmira do Nascimento Damasceno, 30 anos, aluna do segundo período de Engenharia de Produção, pelo Cefet, no polo de Itaperuna. “Para os jovens que terminaram o ensino médio e vão iniciar uma jornada acadêmica é uma excelente oportunidade”.
Palmira mora em Italva, cidade vizinha de Itaperuna, e disse que o maior benefício de estudar no Cederj é ter uma profissão como aluna de uma faculdade tão renomada no seu currículo. “Amei o fato de conseguir realizar um sonho tão perto da minha cidade”, declarou.

Expansão estratégica

Na opinião do professor Geraldo Magela, atual diretor do Cederj em Três Rios, a instalação do polo na cidade foi estratégica para expandir o projeto e dar início ao atendimento também na Região Serrana e arredores. “O impacto inicial, na época, foi que a chegada do Cederj representou uma verdadeira revolução para Três Rios e municípios vizinhos, permitindo que trabalhadores e jovens tivessem acesso a universidades públicas de ponta sem a necessidade de grandes deslocamentos ou custos com moradia”, recordou Geraldo.
Um dos beneficiados com o projeto foi o então estudante Saulo Paschoaletto de Andrade, que ingressou como aluno no Cederj em 2004, na segunda turma de Licenciatura em Ciências Biológicas, e continua com vínculos com o polo na função de educador. Assim que terminou o curso, Saulo deu aulas no Pré-Vestibular Social Cecierj. “Primeiro como aluno e hoje como tutor, eu criei um carinho muito grande pelo Cederj. Porque eu acho que é uma boa oportunidade, como foi para mim e a minha família também, ter um ensino superior e galgar uma carreira na vida acadêmica”, disse Saulo, que se formou em 2008, e voltou ao polo como tutor, em 2011.
“A minha perspectiva era ter só o curso superior e, na realidade, o consórcio (Consórcio Cederj) acabou sendo muito além do que eu esperava. A minha perspectiva foi superada em relação a isso. Hoje eu falo que noventa por cento da minha vida é graças a tudo que eu construí dentro do Cederj”, declarou Saulo.

Educação pública, gratuita e de qualidade que alcança todo o Rio de Janeiro.

A capacidade do Consórcio Cederj de aumentar as perspectivas acadêmicas e profissionais de estudantes das cidades em que as suas unidades estão instaladas, consolidando-se como um projeto de educação superior exitoso, também é destacada por Marianna Bernstein. “Ao longo de sua trajetória, o Consórcio Cederj consolidou-se como uma das mais importantes políticas públicas de educação superior do país. Há 25 anos, os polos vêm contribuindo para ampliar oportunidades educacionais, promover o desenvolvimento regional e transformar a vida de milhares de estudantes, fortalecendo a formação de profissionais que atuam em todas as regiões do estado do Rio de Janeiro”, disse a diretora da Fundação Cecierj.