Apresentação
De um encontro fortuito em um congresso, em São José dos Campos, unidos pela pesquisa de doutorado de Gabriela Reznik nasceu a rede Mulheres em STEM do Rio de Janeiro.
Durante a pandemia do Sars-Cov2 nos reunimos diversas vezes virtualmente e vivenciamos a tecitura de rede, nó a nó, laçada por laçada. Em meio aos encontros virtuais surgiu a proposta de escrevermos um livro onde poderíamos relatar as nossas experiências com os projetos acerca de meninas nas ciências exatas, engenharias e computação, cada um desenvolvido em um contexto diferente, com experiências, vivências e histórias próprias envolvendo as pesquisadoras, professoras, universitárias, licenciandas e alunas do ensino básico.
As relações de gênero das ciências exatas vêm sendo estudadas e discutida há décadas especialmente no campo acadêmico. Mais recentemente, em 2013, foi
iniciada uma política pública com o objetivo de inserir jovens meninas em STEM, por meio do CNPq, que permitiu tratar a questão mais de perto, com ações
práticas e resultados no curto e médio prazo.
Outras iniciativas também foram criadas por organizações associadas ao tema, profissionais bem-sucedidos em suas carreiras e que optaram por ajudar as jovens iniciantes na engenharia. Todas essas ações nos atravessaram e nos une em rede. O desenvolvimento desta obra foi um processo horizontalizado no qual cada grupo trazia seus pontos de destaque, que foram sendo alinhavados aos poucos e por fim arrematados no projeto de design. Os projetos se espraiam pelo estado, percorrem escolas, museus e universidade da capital e da baixada fluminense, chegando ao norte fluminense, Macaé. Para além dos conceitos de ciência, o desenvolvimento dos projetos é também uma oportunidade de as jovens participantes serem inseridas nos ambientes das universidades, institutos de pesquisa e
museus de ciência, além de contribuir para a construção de um senso de pertencimento aos espaços acadêmicos. As jovens participantes foram expostas a diversos exemplos de mulheres que construíram suas carreiras em STEM, em diferentes contextos, o que pode contribuir para a problematizarmos a sub-representação feminina, trazendo consciência para as relações de poder embricadas no processo, além de contribuir para a representatividade, alimentando sonhos e desejos.
Com livro concluído, não por acaso na mesma época em que a pesquisa de doutorado, nosso amalgama, foi finalizada e a tese de defendida, olho para trás e reconheço a importância dos encontros para a nossa saúde mental. Esse processo que não foi apenas a elaboração do livro, mas também o estabelecer vínculos de amizades para suportarmos essa temporada tão difícil que atravessou a nossa vida deixando muitas marcas, dentre as quais: Elas nas exatas: tecendo redes.