Um momento dedicado à Saúde, ao autocuidado e à prevenção. Assim foi a ação realizada pelo Departamento de Valorização e Desenvolvimento de Pessoas da Fundação Cecierj destinada exclusivamente aos seus servidores e colaboradores, com o tema “Outubro Rosa” e realizada no último dia 16 de outubro, na sede da instituição. No foco do mês dedicado às ações de conscientização e prevenção ao câncer de mama, a atividade contou com duas palestras, muito bate-papo e troca de informações, com transmissão do evento via YouTube.
Na palestra “Reposição hormonal e câncer de mama: como um medo virou verdade”, ministrada pela ginecologista Fernanda Chequer, a médica falou sobre a crença, bastante difundida, de que a reposição hormonal causava câncer de mama, deflagrada por uma reportagem do estudo WHI (Women’s Health Initiative), publicada em 2002. Da noite para o dia, consultórios suspenderam tratamentos e uma geração passou a atravessar a menopausa com medo e sem o devido cuidado.
A médica esclareceu de onde veio o medo, o que o estudo de fato mostrou, o que ficou de fora das manchetes e o que as reanálises das últimas duas décadas revelam. Uma conversa sobre evidência, risco real e o direito de cada mulher decidir com informação, e não com base no medo. ”O estudo da WHI , na verdade, tinha por objetivo principal avaliar se a reposição hormonal aumentava o risco de enfarto”, afirmou a médica.

A diretora de Gestão de Pessoas, Viviane Villar, posa com a Dra. Fernanda Chequer e Natalia Guerra, chefe do Departamento de Valorização e Desenvolvimento de Pessoas da Cecierj. Foto: Filipe Dutra

A médica Fernanda Chequer, durante o evento. Foto: Filipe Dutra
Fernanda Chequer abordou desde as noções básicas sobre o que é a menopausa e sua diferenciação para o climatério, além de orientações sobre como reconhecer sintomas e a melhor forma de buscar o cuidado correto. “A menopausa se caracteriza por um período de 12 meses completos sem a mulher menstruar. O climatério pode começar 10 anos antes, com ciclos irregulares, presença dos calores, irritabilidade. Todas essas questões estão relacionadas à produção – ou a falta dela – dos hormônios estrogênio e progesterona. Então, o tratamento precisa ser individualizado, para análise de riscos e de outras questões de saúde que cada uma e que possam estar associadas. Menopausa não é doença”, afirmou.
Em seguida foi realizada a palestra “Navegar, cuidar e transformar – A mulher como protagonista da sua jornada de saúde”, com a cirurgiã oncológica e mastologista Sandra Gioia, coordenadora do NavegaRJ, primeiro programa público de navegação de pacientes com câncer de mama do Brasil, criado em 2017 pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

Sandra Gioia, falou sobre a importância do autocuidado. Foto:Filipe Dutra
O programa oferece acompanhamento individualizado e humanizado para mulheres, desde o diagnóstico de câncer de mama até o início do tratamento, reduzindo a burocracia e o tempo de espera. A iniciativa conta ainda com equipe multidisciplinar de atendimento, formada por coordenador médico, mastologistas, enfermeiros, assistentes sociais e suporte administrativo.
A médica iniciou sua fala ressaltando dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), que estimam a incidência de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil para cada ano do triênio 2026–2028. “Por isso chamamos sempre a atenção para o autocuidado. Mas há prevenção sim. Quais os fatores de risco? Ser mulher, temos atualmente maior longevidade…Então é preciso estarmos atentas . Houve mudança de padrão? Sentiu um nódulo ou vazamento de líquido, por exemplo? Investigue, especialmente após os 40. Se tiver caso de câncer de mama na família, o rastreio deve ser feito a partir dos 25 anos”, alertou Sandra Gioia.
Após cada palestra, as presentes puderam esclarecer dúvidas a respeito das mais diversas questões relativas aos temas expostos. Foi abordada a condição de quem tem endometriose e também está na menopausa, como cuidar de sintomas, como esquecimento e insônia, que afetam imensamente a rotina de cada uma e também se a reposição hormonal pode influenciar no aumento da libido, entre outros pontos referente à saúde da mulher.
“São inúmeras questões que se transpassam. E o tempo faz toda a diferença quando o assunto é câncer. O medo do diagnóstico só atrasa o tratamento. Por isso a prevenção e as ações de controle devem ser um projeto de toda sociedade e do Estado”, concluiu a médica.
Um olhar sobre a jornada de saúde das mulheres
O Outubro Rosa é uma oportunidade para falar sobre câncer de mama, mas também para ampliar o olhar sobre a mulher e sua jornada de saúde. Neste foco, a palestra propôs uma reflexão sobre três movimentos: Navegar – encontrar caminhos em meio a informações, exames, diagnósticos e decisões. Cuidar – compreender que saúde não é apenas ausência de doença, mas envolve corpo, emoções, relações, trabalho e qualidade de vida. Transformar – reconhecer que cada mulher pode ser protagonista das decisões sobre sua saúde e que organizações, profissionais e sociedade também podem contribuir para tornar essa jornada mais acessível, acolhedora e humana.

O evento lotou o auditório da sede da Fundação Cecierj. Foto: Filpe Dutra
Essas informações têm o objetivo de sensibilizar e informar o público sobre a importância do cuidado integral com a saúde da mulher, utilizando o câncer de mama como ponto de partida para discutir questões como conhecimento sobre o próprio corpo, fatores de risco e redução de riscos, detecção precoce, acesso aos serviços de saúde, tomada de decisão compartilhada, saúde emocional e qualidade de vida, apoio da família e do ambiente de trabalho; e protagonismo da mulher em sua jornada de cuidado.
Com isso, durante toda a atividade realizada na Fundação Cecierj, ficou explícita a mensagem de que ser protagonista da própria saúde não significa que a mulher precise caminhar sozinha. Significa ter informação, acesso, apoio e condições para participar das decisões sobre o próprio cuidado. A jornada da mulher pode ter obstáculos, mas ela não precisa ser solitária.





