Unidades Moncleber Gomes e Niterói comemoram 25 e 50 anos de instalação em 2026

O mês de setembro está marcado por duas importantes celebrações da Rede Ceja, por causa das comemorações dos aniversários de 25 e 50 anos de atividades, respectivamente, da unidade Moncleber Gomes, no município de Duas Barras (Região Serrana), e da escola localizada na cidade de Niterói. As duas unidades escolares fazem parte de uma rede de referência na educação de jovens e adultos, na modalidade semipresencial, que desde 2012 é coordenada pela Fundação Cecierj, vinculada da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Referindo-se aos 25 anos celebrados pela escola localizada em Duas Barras, o diretor-geral da Rede Ceja Sidney Borges afirmou que completar um quarto de século transformando vidas por meio da educação de jovens e adultos é um marco extraordinário. “Ao longo dessas duas décadas e meia, o Ceja Moncleber Gomes tem sido um farol de esperança, inclusão e oportunidade. Vocês provam, diariamente, que nunca é tarde para recomeçar, aprender e realizar sonhos”.

Em relação aos 50 anos do Ceja Niterói, Sidney Borges disse que o impacto de uma trajetória tão longeva é imensurável. “Cada sala de atendimento dessa instituição carrega o eco de milhares de vidas que foram ressignificadas pelo conhecimento. Nada disso seria possível sem a entrega, o talento e a resiliência de gerações de diretores, professores e funcionários que doaram o seu melhor a essa causa. Aos alunos, o meu mais sincero respeito pela coragem de reescreverem seus caminhos”, afirmou o diretor-geral.
“Celebrar um Jubileu de Ouro na educação de jovens e adultos é testemunhar meio século de compromisso inabalável com a transformação social, a inclusão e a cidadania. Há cinco décadas, o Ceja Niterói abre portas que muitos consideravam fechadas, acolhendo histórias de vida singulares e devolvendo aos seus estudantes o direito de sonhar e prosperar”, declarou Sidney Borges.

Relevância socioeducacional

A escola Moncleber Gomes iniciou as suas atividades em 14 de setembro de 2001. Ocupa um imóvel exclusivo para receber seus alunos e desde a sua inauguração, há duas décadas e meia, teve um total de 1.672 estudantes adultos e jovens matriculados. Desse total, 1.122 concluíram os cursos de ensino básico e fundamental, conforme dados do censo escolar 2025.
“Completar 25 anos é motivo de muito orgulho e, principalmente, de gratidão. Ao longo desse período, o Ceja Moncleber Gomes se tornou uma importante porta de acesso à educação para jovens, adultos e idosos do município de Duas Barras e de toda a região. São 25 anos oferecendo oportunidades para pessoas que, por diferentes motivos, não puderam concluir seus estudos no período regular”, declarou a professora Benedita Fernandes Pires que começou a atuar na escola do Ceja em 2002, e três anos depois, em 2005, assumiu a sua direção.

“A Rede Ceja possui uma importância social e educacional enorme, porque entende que o direito à educação não termina na idade considerada regular para a escolarização. Ela possibilita que pessoas com diferentes histórias e realidades tenham uma nova oportunidade de estudar, respeitando suas trajetórias e suas necessidades”, afirmou.

Quem também reafirma a relevância do Ceja é Angélica Francisca da Silva, 44 anos, aluna do ensino médio. “Conheci o Ceja por indicação de amigos e escolhi estudar aqui, porque oferece flexibilidade para conciliar os estudos com a rotina do dia a dia”, explicou Angélica, que ainda destacou outras qualidades que ela encontrou na unidade Moncleber Gomes. “O atendimento dos professores, a flexibilidade de horários e a oportunidade de concluir os estudos no meu ritmo. O Ceja me ajuda a concluir os meus estudos e me prepara para alcançar novos objetivos pessoais e profissionais”.

Conciliando estudos e rotina: Angélica Francisca da Silva (44) celebra o apoio dos professores e a oportunidade de alcançar novos objetivos profissionais por meio do Ceja. Foto: Divulgação

 

Resgate da autoestima

Em Niterói a unidade do Ceja é dirigida pela professora Rosa Maria Paiva. Foi inaugurada em 11 de setembro de 1976. Desde então matriculou 51.301 alunos. No total, 30.295 alunos conquistaram diplomas de ensino básico fundamental e ensino médio. De acordo com o último censo escolar, a unidade tem atualmente 1.625 alunos com matrículas ativas.

A professora Rosa Maria Paiva, diretora da unidade do Ceja em Niterói. Foto: Divulgação

Rosa Paiva destaca a inclusão sociocultural, o resgate da autoestima e a inserção ao mercado de trabalho proporcionado pelo Ceja. “A oferta não é apenas do ensino médio, mas também do ensino fundamental. Algumas das características do ensino semipresencial que contribuem para o avanço dos nossos alunos são: flexibilidade total de horários, autonomia na aprendizagem, orientação individualizada, inclusão digital e estímulo socioemocional. Inclusive, muito do nosso público mora em municípios vizinhos e trabalham em Niterói, favorecendo a participação em nossa unidade”, apontou a diretora.

Jayene Campos dos Santos, 35 anos, é um exemplo do papel transformador do Ceja, que ela classifica como uma instituição de grande importância, e que faz a diferença na vida de muitas pessoas. “Minha experiência no Ceja Niterói foi, sem dúvida, um dos capítulos mais importantes e transformadores da minha vida. Cheguei ali buscando uma oportunidade de concluir meus estudos, mas encontrei muito mais do que isso: encontrei acolhimento, respeito, compreensão e uma nova chance de acreditar no meu potencial”, afirmou Jayene, atualmente no sexto período de Direito na Universidade Universo, no Centro de Niterói.

Jayene Campos dos Santos (35), ex-aluna do Ceja Niterói e atual estudante de Direito, celebra o papel transformador da instituição na conclusão de seus estudos. Foto: Divulgação

“Procurei o Ceja porque sentia que era fundamental concluir meus estudos para poder conquistar oportunidades melhores no mercado de trabalho. Antes de ingressar aqui, eu estava sem perspectiva de crescimento profissional, pois a falta da conclusão do ensino médio fechava as portas para vagas melhores, salários mais justos e qualquer chance de ascensão. Eu trabalhava, mas sempre em funções mais humildes, sem poder avançar. Eu sabia que o estudo era a chave para mudar essa realidade. O Ceja se tornou para mim muito mais do que uma escola. Foi a oportunidade de, finalmente, terminar o que havia interrompido e abrir caminhos que antes pareciam impossíveis”, declarou.

Novos horizontes

Antes de ingressar no ensino superior, Jayene trabalhava como auxiliar de serviços gerais em um hospital que fica localizado em frente à unidade. “Essa trajetória só foi possível graças à base que construí no Ceja Niterói, instituição que me deu a confiança para sonhar com a graduação e com a carreira jurídica. Estagiei no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Ministério Público Federal e, atualmente, sou estagiária na Delegacia da Receita Federal, em Niterói”.

Histórias como a de Jayane emocionam Rosa Paiva que recordou que experiência mais marcante ela guardo foi a colação de grau da primeira formatura do ensino médio, em dezembro de 2022. “Alunos, familiares e a equipe escolar se depararam chorando de emoção por presenciarem sonhos sendo realizados na vida dos alunos. Para muitos, a conclusão do ensino médio era algo inalcançável; contudo, ao chegarem no dia em que vestiram a beca, os alunos se enxergaram vitoriosos por terem superado os problemas do dia a dia e terem alcançado êxito”, lembrou a diretora.

Entre os concluintes da turma de 2022 estava a estudante Ana Paula Menezes, que contou como conheceu o Ceja. “Quando eu tinha 19 anos trabalhava como auxiliar de serviços gerais em uma clínica e era muito humilhada pela dona do estabelecimento. Um dia ela fez isso na frente de uma professora do Ceja, que na época de chamava CES (Centro de Ensino Supletivo) que disse que eu era nova, bonita e me expressava bem e me perguntou por que eu não procurava algo melhor”.

A ex-aluna Ana Paula Menezes relata a transformação em sua vida a partir do ingresso no Ceja, incentivo que a levou à conclusão dos estudos em 2022. Foto: Divulgação

Ana era uma menina oriunda de uma família com poucos recursos, sem rede de apoio e tinha abandonado os estudos quando ainda era muito jovem. Além disso, passava por um drama familiar. “Eu falei para a professora que minha mãe tinha me tirado da escola na sexta série e me obrigou a casar com 11 anos. Quando o episódio aconteceu, minha mãe estava separada e eu já trabalhava fora e os seus três filhos dependiam de mim. Por causa do trabalho, eu não conseguiria trabalhar à noite. Foi então que a professora me explicou como funcionava a escola, a facilidade de estudar por apostila. Eu me matriculei no dia seguinte”, contou Ana Menezes.
No dia em que recebeu o certificado, Ana teve um sentimento especial que a emocionou muito. “Eu me senti com dever cumprido comigo mesma e de alma lavada, pois tinha um trauma com a matemática do qual me travava desde a segunda série. Quando fiz a última prova e o professor disse que eu tinha sido aprovada, me emocionei muito e agradeci a Deus de joelhos na sala! Fui a juramentista (de colação de grau) da turma, terminei (o curso) com louvor”.

Ana está com 48 anos e atualmente é terapeuta formada e especialista em inteligência emocional e comportamento humano. “Estou agora me preparando para ingressar numa faculdade e cursar Psicologia no próximo ano, coisa que sem o Ceja não seria possível”, declarou.

Gratidão e respeito

Na opinião de Sidney Borges, o reconhecimento dos alunos pela contribuição e o papel social que o Ceja representa em suas vidas reforça o sentimento de gratidão e respeito que ele tem pelas equipes das unidades celebrantes. “Agradeço profundamente o compromisso e a dedicação de cada gestor, docente e funcionário que ajudou a construir essa história de sucesso. Aos estudantes, expresso minha profunda admiração pela coragem e persistência em busca de um futuro melhor”, afirmou.
O diretor manifestou ainda o que deseja para o futuro das escolas do Ceja Moncleber Gomes e Niterói. “Que venham muitos outros anos de impacto, dedicação e excelência educacional!”